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10/11/2009 - 06h01 |
João Francisco Ferry nasceu em Valença-Pi, a 16 de abril de 1895, recebendo as lições das primeiras letras dos seus próprios pais, no casarão espaçoso à entrada de sua terra. De origem humilde, João Ferry não teve condições de continuar os estudos, tornando-se poeta "mais pela saudade e pela desgraça perene da terra", como assinala J. Miguel de Matos. , "Ferry morreu como viveu, carregando ao longo dos sessenta e seis anos bem vividos as amizades que fez, deixando-as em todas elas, uma revolta imensa contra a morte, que o chamou tão cedo para o convívio sem angústia da eternidade", como exaltou Eulino Martins, no empolgante panegírico que proferiu sobre o seu túmulo. Poeta, jornalista, teatrólogo. Suas peças, levadas à encenação em todo o Estado, marcaram os primórdios da arte teatral no Piauí. Membro da Associação Profissional dos Jornalistas e do Cenáculo Piauiense de Letras. Patrono da Cadeira 38 da Academia Piauiense de Letras.
Conta Osiris Neves de Melo, em sua crônica: Piripiri, Terra dos Bons Pic-Nic's sobre João Ferry em Piripiri:
"Corria o ano de 1931.Sabii-se quem em Peripery, havida sido nomeado para o cargo de Coletor Estadual, o poeta, João Ferry... A princípio, desconhecido no meio que visitava pela primeira vez, sentiu-se desambientado... Depois ficou conhecido. Tormou-se mesmo célebre .Não só era estimado nas altas rodas sociais como , principalmente, entre os pobres, a quem ele tratava com a máxima solicitude... Conhecedo, palmo a palmo, os subúrbios da cidade verificou a dificuldade que os pobres se supriam de a´gua muito distante.
Ideou e fez construir um poço que se não tinha o precioso líquido durante a seca transbordava em compensação na época invernosa." Tornou-se conhecido como o Poço do Ferry.
Concebeu a poesia Piripiri a mais eloquente já feita para nossa cidade e oferou-a ao amigo, poeta, Osiris Neves de Melo.
Piripiri, paus'darcos em flor, ouro/ Enfeitando a ramagem das florestas, / Uma fonte trancada qual tesouro / E a cidade ridente sempre em festas./ Piripiri, tu és meu pensamento/Tudo que é teu adoro sem receio,/ Quero exaltar de ti, num só momento,/ Desde a Fonte dos Matos, ao Recreio./ Mocozal,/ Paciência, o bel Mosquito./ Nos meus versos jamais esquecerei/ O Cabreto, riacho tão bonito,/ Que até mesmo sem água cantarei./ Garibaldi, de sonhos e quimeras, Onde viveram tantas iusões,/Como é doce lembrar as doces eras/Em que as trevas em ti eram clarões./ Nossa Senhora dos Remédios, festas/ De outubro tão queridas e tão boas,/ Tudo relembro e penso e sonho nestas /Noites de serenatas e de loas./ Flor dos Campos,de campos tão floridos, /Rio dos Matos, fonte de nossa alma,/ Passeios domingueiros tão queridos,/ Em que a gente pensando perde a calma./Açude do Anjás, ai, como é triste.../ Vive sempre a chorar as suas mágoas,/ Para nós até mesmo não existe,/Quando as chuvas não trazem suas águas./Piripiri, falando à tua gente,/ Solicito em teu seio o meu ingresso,/ Para saudar-te, de prazer contente/ Pela marcha feliz do teu progresso."(João Ferry em Chapada do Corisco).
O acadêmico, Elmar Carvalho, em importante matéria sobre Piripiri, berço dos seus ancestrais, publicada no site O Melhor da WEB, em 31.05.2009, assim fala, num dos textos da belissíma página que produziu:
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"Piripiri é uma aprazível e bucólica cidade, como já disse em outra oportunidade e aqui repito com mais ênfase ainda. A esta comuna sou ligado através dos estreitos laços de sangue dos meus ancestrais e parentes. Terra das buganvílias e madressilvas, como a cognominou a professora universitária Cléa Rezende Neves de Melo, a pessoa que, sem favor algum, mais vem fazendo pela preservação da memória histórica e cultural desta terra, celeiro amplo e abarrotado de importantes figuras que se destacam no cenário histórico do Piauí, tanto na política como na magistratura, nas artes, na música, na literatura e no humor "...
"O poeta João Ferry, amigo do poeta Osíris Neves de Mello (sobre quem já me detive em longo estudo), que bem merecia ter um logradouro com o seu nome, se é que já não o tem, cantou todo o encantamento deste torrão no poema que leva o seu nome – Piripiri. Cantou os pau-d’arcos floridos, derramando suas flores de ouro, como lustres soberbos de góticas catedrais. Exaltou o belo bucolismo da Fonte dos Matos, do Recreio, do Mocozal, do Paciência e do Mosquito, no exotismo engraçado desses nomes, que nos fazem viajar nas asas poderosas do pensamento e da saudade. Nesse périplo poético nos deparamos com o riacho Cabresto, que certamente só tem rédeas nos verões das secas inclementes, mas creio ser indomável nas invernadas das chuvas, nos tempos felizes das cachoeiras, da fartura e do verde reverdecido em verde cada vez mais verde. O Garibaldi de tantas recordações, de tantas conversas, de tantos sonhos que se concretizaram em realidade e de outros que se derruíram em desilusões e irrealizações. Açude Anajás, Flor dos Campos e rio dos Matos, já nos trazem evocações líricas e bucólicas na poesia de seus nomes, que cheiram a terra molhada e a flores silvestres. O primeiro é um céu a retratar outro céu, na ressonância da imagem dacostiana; o segundo faz lembrar um campo matizado de flores do campo, flores simples, flores humildes, flores incultas, jamais encontráveis nos jardins dos palácios e das mansões, porque apenas cultivadas pelo Supremo jardineiro que as criou; e o rio dos Matos, filho dos matos, na sugestão de seu nome floral.
Por fim, a evocação dos festejos de Nossa Senhora dos Remédios, onde tantos buscaram remédio para seus males, nas promessas da esperança e da fé, onde tantos namoros foram deflagrados, na cumplicidade dos olhares, onde a saudade nascia das bocas das amplificadoras, nas músicas e nos recados do locutor, onde corações eram arrematados nas quermesses dos apaixonados, onde prendas eram leiloadas nas quermesses dos devotos, para as obras da Igreja e ajuda aos necessitados.
Publicado no site: O Melhor da Web em 31/05/2009
Código do Texto: 28611-Piripiri-Cidade das Buganvílias e Madressilvas."
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19/10/2009 - 19h09 |
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A devoção à N. S. dos Remédios surgiu em Portugal através de religiosos franceses da Ordem Hospitalar da Santíssima Trindade, no início do século XIII, fundada no século XII, na França, por São João da Matha. Esta Ordem tinha como finalidade a libertação de cativos no Oriente e tinha como Padroeira, esta forma de invocação à Virgem Maria. A Confraria espalhou a devoção pela Europa, principamente, na Península Ibérica e conseguiu libertar milhares daqueles cativos do Oriente..
Essa devoção veio para o Brasil com os Irmãos da Santíssima Trindade erguendo-se as suas Capelas em várias cidades do Nordeste e região barroca de Minas Gerais. Importantes os templos históricos de Paraty-RJ, São Paulo-SP e Fernando de Noronha.
Em Piripiri, em 1844, data da fundação, aportou o culto à N.S.dos Remédios, vindo com o fundador, Pe.Domingos de Freitas e Silva. A imagem de origem portuguesa, medindo poucos centímetros, a primeira Padroeira, intronizada na Capela em seu louvor, na Rua João de Freitas, próxima à casa sede da "Fazenda Piripiri", as primeiras edificações de nossa história. O Fundador estabeleceu o novenário em louvor à Santa, do dia 06, "Levante da Bandeira" , terminando no dia 16.10. com a procissão solene.
Em 26 de dezembro de 1868 falece o Pe. Freitas, seu corpo foi sepultado na Capelinha , a única do povoado. Em 1884 inaugura-se a primeira Matriz em honra à Padroeira. Em 1910, sob os auspícios de Rita Rosa de Araújo Rezende e a população, adquiriu-se una nova Imagem de N.S.dos Remédios que veio substituir a antiga doada pelo Padre Domingos de Freitas e Silva.
O prefeito, Nelson Coelho de Rezende, em 1940, sentindo as necessidades de alinhamento da Rua João de Freitas, fez demolir a Capelinha de N.S dos Remédios, fora de linhagem , trasladando os restos mortais do Fundador para a Capela do Rosário, construída pela população em terreno doado pela família Freitas.
O festejo de N.S.dos Remédios, em Piripiri, sempre foi um momento de fé e reflexão. No dia 06.10 os devotos , em procissão, colocam a bandeira no mastro defronte à Matriz. O novenário consta, no programa litúrgico preparado pelos noitários e religiosos, de missa campal, homilia, cantos de louvor,encerrando-se com o Hino à Padroeira. Momento único da fé do povo piripiriense e visitantes! Na parte profana montam-se barraquinhas na Praça da Bandeira, sob o comando da Paróquia, com "comes e bebes", (alcóolico , apenas cerveja) e os famosos leilões e muitos ambulantes que vendem todo tipo de quinquilharias. Nos botequins, instalam-se parques, vários tipos de comércio, restaurantes. Esses ficam intransitáveis pelo grande afluxo de nativos e pessoas que visitam o município, filhos da terra que retornam ou outros que vêm para assitir ao festejo. No dia 16 sai a procissão. A Padroeira segue em carro adornado seguida pelas imagens dos santos padroeiros da zona rural, grande afluência de fiéis, calculou-se esse de 2009, que 35.000 pessoas louvaram N.S. dos Remédios, percorrendo em largo trajeto muitas ruas da cidade, à luz de vela. Deslumbrante!
Há muitos anos visito a minha cidade nessa época, constatei que a Festa Religiosa acresceu significantemente, tanto em termos de religiosidade e em número de simpatizantes do catolicismo. A bem da verdade essa equipe de religiosos sob o comando do vigário, Frei Evaldo, trouxe um novo alento para as necessitades espirituais, sem esquecer-se que, ao lado da fé,caminha a diversão sadia num clima de fé e fraternidade entre todos.
Parabéns, Frei Evaldo , o senhor e os demais religiosos trouxeram um brilho especial ao Novenário sob o manto de nossa Padroeira!
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28/09/2009 - 17h46 |
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Nascido José de Assis, eletricista dos bons, inteligente, fofoqueiro, era o primeiro a saber e espalhar as novidades pela cidade. Em matéria de fuxico ninguém ganhava dele Todos temiam "cair na língua" do conterrâneo. Guardando as devidas proporções a esta sua vocação de linguarudo, meio iconoclasta, por não respeitar em suas críticas mordazes, tradição, culto ou referências, me faz lembrar o maior nome do Barroco brasileiro, Gregório de Matos Guerra, alcunhado Boca do Inferno, poeta maldito, execrado pelos moralistas, ferina e ousadamente criticava a Igreja Católica, apesar da Inquisição, ofendendo padres e freiras e à cidade da Bahía como era conhecida, Salvador. Zé Cocota, também, 'rasgava o verbo", não resguardava fulano, sicrano ou beltrano.
Zé Cocota, nasceu, viveu e morreu numa Piripiri elitista , cheia de preconceitos, o que qualificava a existência de alguém era o berço, a família da qual se descendia, ele, proveniente de minorias de então, negro e homossexual, numa época de intolerâncias sociais, de idéias pré-concebidas, sabia defender-se, tinha amigos entre as pessoas consideradas importantes na cidade, mesmo que isso não o impedisse de mexericar a vida dos pseudos-amigos.
Sem indicação de um pai , filho de pessoa de confiança da casa da professora Cota Sampaio, educadora do ensino particular, atual patrona de uma Unidade Escolar de Piripiri, Zé Cocota foi educado por duas mulheres. Da professora a quem ele chamava , carinhosamente, "Cocota", veio-lhe o apelido.
A professora, Cota, muito se destacou no magistério piripiriense, adepta da alfabetização através da soletração das letras, "método de aprender a ler no qual se toma a letra como unidade de leitura", numa espécie de cantilena que os alunos decoravam, muito difundido no interior do Brasil da época, era solteira e considerava José, como um filho. Moça bonita e prendada do seu tempo, nunca aceitou a corte dos rapazes, optou pelo celibato. A "crônica da cidade " narra que, ao sair uma briguinha de garotos e que a alcunha, "Zé Cocota", era indicada a algum, considerava-se ofensa moral muito grande e os sopapos eram distribuídos. Tal fato chocava a professora , Cota, que murmurava:
_"Não sei o porquê destes meninos se esbofetearem quando são chamados pelo nome do José".
São muitos os registros que falam desse lado pitoresco de fofoqueiro de Zé Cocota. A historiadora, Judite Santana, narra no seu livro, Piripiri, página 150:
" Uma noite, Luiz Felinto e Felicíssimo Melo conversavam sobre certo assunto e o faziam na certeza de que ficaria em sigilo. Haviam escolhido um local sem testemunhas, ao lado da Igreja de N.S. dos Remédios. A cidade dormia... Os dois amigos retiraram-se tranquilos. No dia seguinte a cidade comentava o "segredo". Zecocota ouvira tudo do alto de um tamarineiro onde se escondera ao avistar os conterrâneos."
Convém salientar-se que antes que se contruisse a Praça da Bandeira existiam vários e frondosos tamarineiros
e ingazeiros no quadrilátero onde, hoje, encontra-se a referida Praça, local ideal para Zé Cocota reportar os fatos que ocorriam depois que a energia se apagava, isso, antes do advento da hidréletrica de Boa Esperança, quando a nossa cidade era iluminada por geradores que deixavam as ruas às escuras a partir de 22.00.
Quando da inauguração da Loja Maçônica, "Abdias Neves" em Piripiri, o vigário de então, Raul Formiga, mantinha sérias desavenças com os maçons e que , também, pertenciam ao PSD, partido político antagônico ao seu que era a UDN, principalmente, a Osiris Neves de Melo, João Bandeira Monte e Agostinho de Castro Machado. O fato não passou despercebido ao espírito curioso, ávido de encrenca de Zé Cocota que, do alto do seu ponto estratégico, percebia tudo. Conta-se um fato, pela cidade, que ele teria confidenciado, um dia, aos três amigos:
- "Está entrando uma alma na Casa Paroquial depois que a energia se apaga".
Os citados maçons passsaram a observar. A partir daí cessaram-se as provocações, os dois lados mantiveram um silêncio sepulcral sobre o desenrolar dos fatos.
Hoje, Ze Cocota, é nome de troféu outorgado na festa Pirigay que se realiza, no mês de julho, na cidade. Ainda não lhe conferiram o título de patrono de uma rua. |
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18/09/2009 - 05h30 |
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"Amizade, segundo o mestre Aurélio, do latim vulgar "amicitate" é um sentimento fiel de afeição, simpatia, estima, ternura entre pessoas que, geralmente, não são ligadas por laços de família ou por atração sexual.
Com o advento da internet, do orkut, prinicpalmente, centenas de amigos vieram incoporar-se ao nosso cotidiano. É agradável abrir-se a página e ler aquela mensagem carinhosa, amistosa, de paz e de ternura. A nossa autoestima se eleva com os visitantes que diariamente aparecem em nossas páginas, amigos declarados ou aqueles que pretendem sê-lo. Eu, costumo visitar amigos queridos em seus perfis orkutianos, simplesmente, para vê-los, sorrir para as suas imagens projetadas pela foto, para desejar-lhes um dia ameno. Do orkut veio também a saudação," eu te amo", como término de mensagem, valendo entre amigos do sexo masculino ou feminino, costume que, muitas vezes, traz a desconfiança entre pessoas ligadas ao amigo com quem se fala, interpretada como um ato libidinoso, quando, na realidade, é uma forma amistosa de carinho e aproximação.
Comemora-se o " dia do amigo" no dia 20 de julho. Eu, particularmente, penso nesse dia, em 21 de setembro, em homenagem ao meu primeiro amigo virtual, quando instalei os programas de computador e, justamente, no orkut, me apareceu, vindo no tempo e do tempo, um presente que viajando numa nebulosa aportou em minha página para tornar-se um amigão. Foi o primeiro de uma série de 380, atualmente, alguém que se tornou indispensável, quem entendeu os meus ideais, acreditou em mim, esteve sempre comigo quando enfrentei obstáculos ou quando cantei vitórias, que me consolou quando eu chorei, que aplaudiu quando fui aplaudida, que compreendeu os meus questionamentos existenciais, uma dádiva do céu ao meu destino. Amigo, é aquela sintonia telepática, a reciprocidade na tristeza, na alegria, na doença ou na bonança. De repente, a dor que atormenta, como em gêmeos siameses, é sentida de um lado e de outro. A distância não é fator que afasta, ao contrário, aprende-se a gostar de quem nunca se vê como aos amigos com quem encontramos em todas as etapas da vida, principalmente, os de Piripiri, companheiros de minhas jornadas na cidade. Inspirando-me em Fernando Brant e Milton Nascimento eu diria: 'QUALQUER DIA, AMIGOS, A GENTE VAI SE ENCONTRAR".
Não pode haver amizade em quem não ama incondicionalmente, aquele que se deixa levar pelo egocentrismo e só enxerga o próprio umbigo, não sabe o significado da palavra. Vinícius de Moraes citou numa crônica memorável:
" Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles... até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências". Tenho amigos(as) assim, como diz Vinícius, os mais chegados, claro, estão em Piripiri, por ser a minha cidade, pessoas que conheço ao largo do tempo, que conheci depois, jovens, filhos de conhecidos, aqueles cuja amizade de há muito virou família. Amizade vem do coração, é um sentimento do dar-se sem esperar pelo receber-se, não olha os defeitos, não cobra, a confiança é ilimitada ou não sobreviverá. Amigos de todas as épocas da existência, já habitando outro plano espiritual, outros sem comunicação há muito tempo, morando em vários lugares mas, as belas recordações do tempo que foram inseparáveis permaneceram nas mentes com um carinho e uma ternura sem limites.
Amigos fraternos os meus companheiros de geração! A cada dois anos nos encontramos em Piripiri, belas vovós, garbosos vovôs, nos nossos corações a alegria imensurável daquele reencontro. Alguns, impedidos, não podem comparecer mas, lembrados, se tornam presentes. As piadas e brincadeiras são as mesmas dos anos jovens, como se o tempo não tivesse passado. Essa geração, conhecida como Anos Dourados, cantada em prosa e versos por remanescentes dela, pela admiração que causa em Piripiri, recebeu, como homenagem do município, uma praça denominada do "Reencontro". Ali, piripirienses ausentes poderão juntarem-se aos presentes e por em dia as histórias decorrentes em anos de separação.
Sentimento nascido da afeição, estima, ternura, afinidades, "amigo é coisa para se guardar, do lado esquerdo do peito, bem junto do coração"-Fernando Brant/Milton Nascimento, em Canção da América. |
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11/09/2009 - 10h16 |
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Prefaciando o nosso livro "Velhos Conterrâneos Luminosos", o acadêmico e particular amigo, Elmar Carvalho escreveu: "...Mais universal que Leão Tolstói um literato dificilmente o será, mas foi exatamente esse admirável prosador eslavo quem afirmou que um escritor será tanto mais universal quanto mais referir-se à sua aldéia. Ocorrem à lembrança , a propósito, os extraordinários versos de Fernando Pessoa:
" O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldéia, mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldéia porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldéia".
Cléa Rezende segue a risca esses verdadeiros preceitos de Tolstói e Pessoa. O município e o Estado em que nasceu permanecem indeléveis em seu acendrado amor atávico e telúrico, como duas jóias incrustradas em seu coração..." (Elmar Carvalho).
Elmar tem razão, amo a minha cidade, conheço a sua história, a sua trajetória, a garra do seu povo, nas minhas veias corre o sangue do fundador, aquele nordestino desbravador que atravessando o sertão, com outros bravos piauienses, difundiu ideais de liberdade da pátria brasileira, desafiou cânones, constituiu família, vislumbrou uma nova civilização e tornou-se cerne da população piripiriense. Com esse exemplo de um antepassado desafiador, aceitei de imediato o convite da Secretária Municipal de Educação, Erandi Meneses, para colaborar com o desfile de 07 de setembro em nossa cidade, onde, se encenasse a nossa história, por décadas, representadas por Escolas da Rede Municipal. Admiro a política educacional da administração de Piripiri, os inúmeros projetos desenvolvidos por equipes de professores, a dedicação e abnegação com que a "colméia educacional" se doa em benefício do alunado é merecedora dos prêmios nacionais que recebe. Motivada por todo esse idealismo me fiz "abelha da educação", vi os meus livros se tornarem vivos na Avenida e eu própria uma das protagonistas da noite, testemunha ocular da história, em meio a professores e alunos, pequeninos heróis que resistiram ao cansaço, a sede e a longa caminhada. Assim se ensina o civismo, com exemplos, os professores estavam ali, atentos, orientando. A vitalidade que demonstrei ao desfilar tantas vezes me foi ditado pelo amor à nobre causa do projeto que ali foi encenado. Sou quem agradece a oportunidade, a historiadora, a professora e, principalmente, a piripiriense, aprendeu muito, sentiu-se parte integrante da história contemporânea do município. Escolas Municpais, Estaduais, Particulares mostraram garbo e conhecimentos em seus desfiles. Lembraram, além do passado histórico, fatos e pessoas que nos legaram a cidade que mais cresce no Piauí, o escritor vivo, o normal é homenagear o falecido, a ACALPI que desfilou garbosa com membros da diretoria, a APAE, Escoteiros, outras associações, o grupo policial e o glorioso Exército,(obrigada, sargento , soube que o senhor se despede, leve o nosso carinho e agradecimento).
Gosto de desafios, de pessoas empreendedoras. A Secretária Municipal de Educação, pessoa singular, dirige, coordena, idealiza mas não gosta de aparecer, sente-se a sua presença pela força que emana de sua personalidade forte, ao tempo, gentil e educada. Aquela sua idéia levaria a nossa história à população de forma didática, personagens reais descortinariam fatos e pessoas que fizeram a Piripiri que herdamos e nos orgulhamos. Grande equipe a da Educação e Cultura! Citar nomes seria incorrer em alguma injustiça, todos, em conjunto, fizeram uma linda festa. Os alunos imbuídos do sentimento atávico muito contribuiram para o esplendor do 7 de setembro. As autoridades prestigiaram, a população de todas as camadas sociais lotaram a Avenida Tomás Rebelo, de ponta a ponta, aplaudiram, prestigiaram. Foi dada a largada rumo ao Centenário de emancipação, menina dos olhos do prefeito, penso que deve ser o projeto-mor de sua gestão. Padre Freitas fundou Piripiri em 1844, Nelson Rezende comemorou o centenário dessa data memorável em 1944, Tomás Rebello nos impulsionou para a emancipação em 1910 e Luiz Menezes organiza o centenário que marcou a nossa entrada na constelação piauiense.
Parabéns, Piripiri, o 7 de setembro de 2009 ficará registrado como uma das grandes iniciativas que teve êxito total e brilho incontestável.
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