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27/03/2009 - 12h42 |
"QUERO ACONTECER NA VIDA COMO A PRÓPRIA VIDA ME PEDIU PRA SER, QUERO COISAS VERDADEIRAS COMO ANTIGAMENTE COSTUMAVA TER" (MARTINHA).
 Em minha vida foram muitas as pessoas que cruzaram o meu caminho e estão registradas na memória indélevel que o tempo não destrói: amigos de infância, como eu, nascidos ou criados em Piripiri, a juventude dos Anos Dourados, primos irmãos, companheiros dos mais doces anos da existência. Os colegas dos bancos escolares ou de internato, apesar da convivência diária, nas férias tomavam outros caminhos e não comungavam aquela magia dos folguedos, conversas, piadas que faziam a nossa vida tão maravilhosa em nossa doce cidadezinha do interior. Banhos de cachoeira, o açude Caldeirão, o festejo da Padroera com quermeses, os proibidos e por isso tão chamativos botequins, o futebol dos meninos onde a rivalidade era ferrenha, nós, as meninas divididas na torcida, a Praça da Bandeira, os rapazes rodando de um lado e as moças de outro, (footing) incentivavam o flêrte e, posteriormente, o namoro, com vários olhos vigiando.
Salomão escreveu a sabedoria da amizade em seus Provérbios: " Em todo o tempo ama o amigo e, na angústia,se faz o irmão".
Há 25 anos, em 14 de março, ela partiu para o mundo dos espíritos, 45 anos incompletos. "Amiga de fé, irmã camarada", ligada a mim por duplos laços sanguíneos e uma amizade incomensurável. Tantos momentos felizes vivemos juntas, a infância, os dias passados no Casarão, refrescos de cajazinha, umbu, ouvir os impublicáveis palavrões que Badinha, antiga escrava e pessoa de confiança da família, falava nos seus momentos de demência, nos faziam gargalhar sob as broncas de tia Yayá, avó da minha prima amiga, as inúmeras brincadeiras meninís, a desabrochar do primeiro amor, os cochichos e risadas que tanto intrigavam os adultos: essas meninas vivem gargalhando... claro, o insondável despertar do amor. As paredes do Casarão estão impregnadas de nossas vozes, gargalhadas, nomes dos rapazes, cabeças cheias de quimeras da leitura de livros açucarados de M.Delly, príncipes encantados, deuses nórdicos, o futuro que sorria para nós. Um dia veio o pesadelo, os príncipes viraram sapos.
Éramos solidárias em tudo, compartilhavámos o mesmo gosto por danças, músicas, festas, conversar sobre a sombra do ficcus na porta da casa dela, só os pretendentes não eram comuns, nunca disputávamos a preferência de nenhum. Sempre soubemos tudo uma da outra, os tempos felizes e a grande desilusão de nossas vidas. Penso que nenhum familiar a conheceu tão bem como a conheci.
Linda, simpática, elegante, rica mas de uma solidariedade incomum. Em Teresina os comerciários corriam para vê-la passar, com aquele porte de raínha. ..Teve muitos namorados e um único amor que lhe proibiram e reprimiram. Não suportou as vicissitudes da vida, entregou-se sem resistência. Um enfarto do miocárdio tirou-lhe a vida, num dia/noite de muita chuva. Piripiri, chorava a morte da deusa que tinha o lirismo da lua!
Socorro, do outro lado do mistério da vida o seu espírito está em comunhão com Deus. Aqui na terra, nos 25 anos do seu passamento, dedico-lhe essas pequenas recordações, preito de uma saudade enorme da melhor e maior amiga que tive na vida. Coisas do nosso tempo que não existem mais.
A PASSANTE
( para Socorro Rezende Monte).
Lourval Oliveira
"Vemos o teu passar bela, fogosa, faceira,
Com discrição e de um jeito muito sério,
A exibir madeixas de exuberante cabeleira
E sorriso à Monalisa, enigmático de mistério
Não se sabe de onde vem nesse andar flutuante,
Fazendo de nossa rua divertida passarela,
Ora graciosa como siar da águia, bela, elegante
Ou num andar fogoso como se fora linda gazela.
Seu corpo esbelto, elegante, encanta e fascina
É divertido, gracioso, causa atração delirante,
E, talvez por teu porte ninfético ou de menina,
É bom ver tua imagem em desfile de passante.
Quem é ou aonde vai, é um destino ignorado,
Como também, teus pais, teu povo, tua gente,
Se há alguém, um marido, ou um namorado,
Não sabemos, isso perturba, esquenta a mente.
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12/03/2009 - 07h49 |
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14 DE MARÇO-"DIA NACIONAL DA POESIA"
21 SE MARÇO-"
DIA MUNDIAL DA POESIA"
O DIA 14 DE MARÇO , data em que se lembra o nascimento do poeta romântico baiano, Antônio Frederico de Castro Alves e instituído como o "Dia Nacional da Poesia", em sua homenagem.
A UNESCO promulgou em sua 30ª sessão da Conferência Geral o dia 21 de março como "Dia Mundial da Poesía", comemorado em mais de cem países.
Poesía, do grego"poiesis"(ação de fazer algo), pelo latim, poese+ ia, segundo, o dicionário Aurélio que acrescenta:"Poesia: aquilo que desperta o sentimento do belo, o que há de elevado, de comovente nas pessoas ou nas coisas".
A poesia demonstra o cotidiano, sentimentos negativos, o lirismo e as emoções do poeta , a miséria humana-social e questões políticas, nacionais e internacionais. Uma das artes mais difíceis dentro do conceito literário, o belo do belo, a mais elevada forma de expressar os sentimentos e trabalhar a palavra. O poeta, no seu lidar etéreo, elevado, chega perto de Deus em oração sublime.
Na Antiguidade os poemas eram cantados ao som da lira razão da denominação, "lírico", fruto da vivência amorosa do vate, um sentimento amoroso que traduz esperança, euforia, desespero, saudade, culto à morte, exaltação da natureza, sensualismo erótico, patriotismo.
Antônio Frederico de Castro Alves,nasceu em Curralinho, atualmente, Castro Alves-Ba, em 14.03.1847 e faleceu em Salvador-Ba, em 06.07.1871. Duas vertentes marcam a obra de Castro Alves:
Poesia Social- movido pelos anseios de liberdade e justiça abraça a causa do negro escravo sendo por isso alcunhado- "O Poeta dos Escravos". É uma poesia apropriada para declamação, mesclada de figuras , antíteses, hipérboles, apóstrofes e metáforas. Pertence à terceira fase do Romantismo brasileiro - "poesia condoreira", influenciada por Victor Hugo e Lamartine e simbolizada pelo condor, o albatroz e a águia, proposição de uma reforma mental, social e política no Brasil.
Poesia Lírica- idealização do amor, subjetivismo, nostalgia, arrebatamentos passionais, valores da natureza e sensualismo erótico.
Segundo alguns biógrafos do autor os poemas que apresentam o subtítulo "Dama Negra", foram escritos em louvor de Eugênia Câmara, atriz portuguesa, dez anos mais velha que ele, requisitadíssima entre a boêmia intelectual da época. Castro Alves viveu apenas 24 anos, morreu vítima de infecção no pé e de tuberculose pulmonar.
"Navio Negreiro , uma das principais poesias abolicionistas está ligada aos fatos históricos anteriores a 1888. Nas duas estrofes a seguir , o brado de revolta de Castro Alves diante da infâmia que foi o trâfego de escravos:
" Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar! por que não apagas
Co'a a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...
Existe um povo que a bandeira empresta
Para cobrir tanta infâmia e covardia!...
E deixa-a transformar-se numa festa
Em manto impuro de Bacante fria!...
Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta
Que imprudente na gávera tripudia?...
Silêncio! Musa! Chora, chora tanto,
Que o pavilhão se lave no teu pranto..."
Em "Adormecida" duas estrofes seguintes, Castro Alves coloca o "eu lírico" observando a sensual relação entre a moça adormecida e a natureza, aqui, masculinizada.
"Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão, solto o cabelo,
E o pé descalço do tapete rente...
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos, entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face, trêmulo, beijá-la"...
Focalizando o poeta, Castro Alves, deixo a minha homenagem a todos os aedos e o seu maravilhoso trabalho, com essa fórmula tão encantada de fazer amar, sonhar e fantasiar.
Fonte: pesquisa google
Rofrigues, A. Medina- Antologia da Literatura Brasileira, marco editorial. Vol.I
Maia, João Domingues-Língua, Literatura, Redação. ea editora ática-Vol. II
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17/02/2009 - 12h37 |
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Há uma distinção, segundo o mestre Aurélio, entre a inveja e a cobiça: "a inveja, do latim, invidia, é o desejo violento de possuir o bem alheio, desejo e pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem; a cobiça, do latim,cubiditia, é o desejo sôfrego, veemente, de possuir bens materiais, avidez, ambição desmedida".
Olavo de Carvalho em sua crônica "Dialética da Inveja" diz: "a gente confessa o ódio, humilhação, medo, ciúme, tristeza, cobiça, inveja, nunca. A inveja admitida se anularia no ato, transmutando-se em competição franca ou em desistência resignada".
"O primeiro homicídio bíblico foi entre família e motivado pela inveja. Caim assassinou Abel porque Deus se agradou das primícias ofertadas por Abel"-Gn-4:3-8.
De acordo com o Evangelho Segundo o Espiritismo, " a inveja e o ciúme são sentimentos inferiores que se instalam em nós sob forma de frustração, tristeza, de mal estar e de constrangimento por nos vermos miniaturizados, inferiores a alguém".
"Jesus perdoou aos que o invejavam e até os que o traíram"- Jo-13-15-16. Já o décimo mandamento anuncia: "Não cobiçarás as coisas alheias".
A inveja incluída nos Sete Pecados Capitais apontados pelos teólogos, é um ranço, também, na sociedade, basta que alguém se sobressaia no campo do saber disputado pelo invejoso para que este venha com raios de morte a fim de destruir a conquista do semelhante, por meio da injúria, da calúnia, da dissimulação, da madedicência e da difamação, move montanhas para que o outro não brilhe onde a sua inveja não consegue atingir os objetivos. Não se destaca mas não permite que outros consigam o que nunca realizou.
"O invejoso está mais preocupado com a vida alheia do que com a sua. Ao invés de tentar progredir, em crescer tanto materialmente quanto espiritualmente, ele prefere ficar sofrendo quando vê o sucesso dos outros"- Alan Kardec.
Sem méritos para progredir ou tentar evoluir prefere intrometer-se na resplandescência alheia e ser um eterno infeliz. "Onde há inveja não pode haver amizade", afirma o poeta português, Luiz Vaz de Camões.
A pessoa invejosa tem, também, problemas emocionais, não procurou tratamento especializado para a baixa auto-estima, insegurança, inadequação a vida que leva.
O ciúme, diz o dicionário Aurélio: " sentimento doloroso causado pelas exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade fazem nascer em alguém".
A literatura mundial é pródiga em personagens ciumentos.
Otelo- O Mouro de Veneza, de William Shakespeare é, talvez, o maior clássico do ciúme. Escrito por volta de 1603, com quatro personagens: Otelo, um general mouro que serve em Veneza, Desdêmona, sua esposa, o tenente Cássio e o sub-oficial Iago, narra que o protagonista, Otelo, cego de ciúmes e envenando pelo ciúme que Iago sentia, também, de Desdêmona, deixa-se levar por esse estado mórbido e assassina a inocente e honesta esposa. O autor declara que o " ciúme é um monstro de olhos verdes", a mais popular definição do ciúme.
Na literatura brasileira temos, entre outros, D. Casmurro, de Machado de Assis, publicado em 1899. Machado revela através do personagem, Bentinho, carcomido pelo monstro de olhos verdes, tal como Otelo, deixa pela ambiguidade, uma dúvida sobre o adultério de Capitu. Bentinho não tem a certeza de nada, arrasado pelo amor, ciúme que o deixam com uma certa "loucura", passa para o leitor a tarefa de decidir se Capitu é inocente ou culpada.
Concluo com a dúvida: alguém seria capaz de entender a natureza humana?
Fonte: pesquisa Google.
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22/01/2009 - 11h24 |
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"QUANDO A ALMA SANGRA POR ALGO QUE SABEMOS, MACHUCA , NÃO ADIANTA NEM CULPAR NEM PERDOAR OS OUTROS".
Perdoar, do latim perdonare, segundo o Mestre Aurélio, siginifica cancelar ou remir. " Pedoai às nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido", segundo Mateus, VI.7.15 e Lucas, XI.1.4, oração que o prórpio, Jesus Cristo, ensinou.
Será que perdoar é fácil, vem do fundo da alma e não deixa resquícios ao injuriado, ofendido, ou perdoar é apenas uma palavra que se usa, corriqueiramente, para fugir a uma responsabilidade e tentar tirar proveito da generosidade de outrem? O esquecimento total das injúrias recebidas é real ou se esvái no tempo como uma satisfação dada por motivos religiosos, sociais ou em benefício próprio?
Pesquisei no campo de três credos o que dizem os evangelizadores ou filósofos:
1-Igreja Católica: " Sede uns para os outros, benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros como também, Deus, em Cristo vos perdoou"(Efésios.,4.32).
O apóstolo Pedro perguntando a Cristo- Senhor até quantas vezes meu irmão pecará contra mim que eu lhe perdoe? Sete vezes? Respondeu-lhe, Jesus:
"- Não te digo que até sete vezes mas até setenta vezes sete. Mateus, 18,521 e 22 e Evangelho, Segundo o Espiritismo de Alan Kardec. Segundo o Pe. Leonel Narváez Gómez, existe na Colômbia e Brasil, a Fundação da Reconciliação, contribuindo com esforços que cidadãos realizam para o advento da paz no mundo.Em Bogotá, Colômbia,expande-se uma experiência de "Perdão e Reconciliação," interpessoal, denominada ESPERE (Escolas de Perdão e Reconciliação).
2-No "Panorama Espírita", na palavra de Jorge Hessi, encontrei as afirmativas que me parecem muito de acordo com a natureza humana:
"- Há casos e casos. A indignação é sentimento que, às vezes, se torna necessário diante da atitude descabida de alguém. Tal atitude não deve assumir, porém, o caráter da agressão e nem do revide, devendo, sem dúvida, ser manifestado para que o outro perceba as consequências de seus atos.Contudo, em várias ocasiões, por gostar muito de alguém, relevamos suas atitudes inadequadas para conosco e com os outros confundindo os sentimentos e perdaondo quando caberia repreensão e advertência obrigatória, até porque o perdão não significa conivência com o erro... atitudes como essas, deculpar e perdoar sem limites, incita o outro à prática do mesmo ato reprovável. Isso não é amor, é subserviência ou omissão"
3-Evangélicos-"Eu porém vos digo que não resistais ao mal mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe, também, a outra".( Mateus,5.39).
Segundo a doutrina evangélica defendida pelo pastor, Denis de Oliveira, das Assembléias de Deus-Ministério Poder de Deus-R.J o que aprendemos neste versículo tem um princípio de não querer "vingar-se", ficar desejando mal ao nosso próximo mas, não de abaixar a cabeça e aceitarmos a injustiça fingindo uma falsa humildade, amaldiçoando às escondidas".
Para o especialista, Fred Ruskin, perdoar ajuda a barrar desenvolvimento de problemas cardíacos e reduz os índicesde câncer e outras doenças ligadas aos sentimentos negativos. Chantal Brissac afirma existir uma técnica havaiana, chamada oponopono, que prega uma cura interior antes de trabalhar o que está fora."Eu sinto muito, eu te amo" é um dos mantras do oponopono. (Mantra, do sânscrito, instrumento para conduzir o pensamento.
O escritor piauiense, Antônio Neves de Melo, declarou numa crônica; " O perdão é a arma dos covarde, os que não querem assumir responsabilidade dos seus atos. Eu,( ele), particularmente não perdôo nunca"
Concluo com Toquinho e Vinícius, na música, Regra Três: " O perdão também cansa de perdoar".
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Fonte: Google
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09/12/2008 - 06h23 |
Vive só para mim/Só para a minha vida/ Só para o meu amor/Olavo
Bilac
Do latim "amore", sentimento que predispõe alguém a desejar o
bem de outrem sem os lampejos da paixão que é emoção elevada a um alto grau de
intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão.
O Amor Romântico, de
artistas e literatos, tinha o lirismo da lua, das serestas, os namoros ingênuos
de moçoilas virginais à moda da deusa Vestal e de sua correspondente grega,
Héstia, quase sempre acabavam em casamento, os homens celebrando a virtude
feminina, a mulher educada nos padrões da moral-cristã conservavam-se angelicais
para a noite de núpcias. Meninas, sempre em grupo e acompanhadas de senhoras
respeitáveis, aguardavam ser cortejadas pelo rapaz, a ele competia, também,
convidá-las à dançar, isso numa época posterior aos casamentos "arranjados",
entre famílias. Na literatura, o romance, A MORENINHA, de Joaquim Manoel de
Macedo, teve o seu apogeu, primeiro no gênero publicado no Brasil, a heroína
fugia aos padrões européus de donzelas esquálidas e translúcidas, apresentando
um tipo bem brasileiro em que muitos estudiosos dizem ser baseado na namorada
e futura esposa do autor, Maria Catarina de Abreu Sodré, prima de Álvares de
Azevedo. Macedo descreve usos e costumes da sociedade, a vida familiar e privada
da época. Já o imortal, português, Camilo Castelo Branco notabilizou-se com a
novela passional:"Amor de Perdição", de tom trágico, bem ao modelo do Romantismo
e de Romeu e Julieta, onde as personagens lutam contra terríveis obstáculos para
encontrar a felicidade e só encontram paz, na morte. Em "Amor de Salvação", o
novelista, permite que os protagonistas encontrem a felicidade no
casamento. "Curiosamente, a ciência moderna afirma que o amor romântico causa
reações químicas onde o organismo produz grandes doses de três substâncias,
anfetaminas naturais, que provocam euforia e podem causar dependências,
explicando o comportamento de pessoas incapazes de relacionamentos duradouros,
sempre a procura de novas aventuras.Se o ralacionamento vinga, passados dois ou
três anos começa o ciclo da endorfina, substãncia que dá sensação de segurança,
calma e tranqüilidade."(sic).
O Amor Romântico e o amor Licencioso são
normalmente vistos em planos inversos.O amor romântico é lírico vem acompanhado
de fidelidade, encanto, sonho. O licencioso, é infiel, não conhece a poesia e
não se baseia na virtude e encantamento. Ovídio, poeta romano, símbolo da
sociedade leviana de Roma, publicou no ano 1 aC os dois primeiros livros
de poema, "Arte de Amar", falam sobre "conquistar os corações das mulheres e
como manter a amada", o terceiro publicado no ano 1 dC, é dirigido às mulheres,
"ensinando-as como atrair os homens". Arte de Amar que permanece atual, parte de
uma conjetura: "o amor obedece a uma técnica e essa técnica, como todas, pode
ser ensinada. O ideal da beleza masculina ou feminina, os mecanismos de sedução,
os melhores métodos de obtenção do prazer ou mesmo a arte da traição e desengano
, são alguns dos temas desse manual de amor com mais de 20 séculos." A
celebração do amor extraconjugal pode ter sido a causa da expulsão de Ovídio, de
Roma, pelo imperador, Augusto.
O apreciado romance , A Dama das
Camélias, levado ao teatro e ao cinema, de autoria do autor francês, Alexandre
Dumas Filho,conta os encontros e desencontros de um amor impossível entre uma
elegante cortesã, em meados do século XIX, que vive dos favores de nobres
clientes e se enamora, perdidamente, por Armand. Há flashes autobiográficos na
narrativa. Em meio a segregação social e artimanhas do pai do jovem que trama
pela separação do casal convencendo à moça que aquela relação é uma
desmoralização e ruína da família, a Dama comove-se e, em meio a um sacrfício
heróico, renuncia ao amor, resignada com o seu infortúnio,"com um sentimento
verdadeiro encontra forças para se redimir como pessoa, numa referência aquela
passagem bíblica em que Jesus perdoou a Maria Madalena". O Amor que por uma
convenção social e religiosa é proibido, implica em abrir-se mão dos mais
sublimes ideais, desejos, reprimir-se para não magoar alguém e magoar-se a si,
fazer de conta que tudo vai bem, não poder falar na hora que necessita, não ter
companhia nunca, não poder desejar pessoalmente os cumprimentos de datas
significativas momentos em que mais carece de apoio, não ter um gesto de
ternura em hora de angústia !!! Os direitos do coração vão de encontro aos
valores sociais e morais. É difícil não ter-se a oportunidade de dividir. Amor
devoção, sufocado, reprimido, condenado, promíscuo, é um ato de renúncia total à
vida e aos sentimentos.
Com o advento da televisão, das novelas, da
internet a liberação sexual passou a exibir um novo tipo de ralacionamento.
Surgiu o "ficar" que é fazer sexo, simplesmente, por fazer, uma satisfação
biológica, instintiva."Fazer amor", me parece, infinititamente diferente de
"ficar". Na internet pessoas iniciam romances virtuais que, em algumas
oportunidades ocorrem casamentos formais ou informais, outras, apenas
misturam um jeito estranho de relacionar-se, sem distinção de sentimentos,
imagens ou palavras, quer no orkut, que é público ou em outras páginas de
conversação e, com a verocidade que vêm, desaparecem. Parece-nos uma forma de
fuga da realidade, de liberação do ego, no sentido de ver-se abrir uma liberdade
que antes lhe era proibida. Tudo o que vem muito fácil vai mais fácil ainda,
satura, como comer-se muito doce-de-leite. Para tudo que é salutar necessita-se
idoneidade.
Apenas projetei o amor entre duas pessoas, não me referi a
outras modalidades como maternal, filial, fraternal, religioso e
patriótico.
Consultas: Macedo, Joaquim Manoel de Macedo, "A
Moreninha"
Branco, Camilo Castelo, "Amor de
Perdição"
Branco, Camilo Castelo, "Amor de
Salvação".
Nasão, Publio Ovídio, Arte de
Amar.
Filho, Alexandre Dumas, "A Dama das Camélias"
http://pt.wikipedia.org/wiki
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