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Há uma distinção, segundo o mestre Aurélio, entre a inveja e a cobiça: "a inveja, do latim, invidia, é o desejo violento de possuir o bem alheio, desejo e pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem; a cobiça, do latim,cubiditia, é o desejo sôfrego, veemente, de possuir bens materiais, avidez, ambição desmedida".
Olavo de Carvalho em sua crônica "Dialética da Inveja" diz: "a gente confessa o ódio, humilhação, medo, ciúme, tristeza, cobiça, inveja, nunca. A inveja admitida se anularia no ato, transmutando-se em competição franca ou em desistência resignada".
"O primeiro homicídio bíblico foi entre família e motivado pela inveja. Caim assassinou Abel porque Deus se agradou das primícias ofertadas por Abel"-Gn-4:3-8.
De acordo com o Evangelho Segundo o Espiritismo, " a inveja e o ciúme são sentimentos inferiores que se instalam em nós sob forma de frustração, tristeza, de mal estar e de constrangimento por nos vermos miniaturizados, inferiores a alguém".
"Jesus perdoou aos que o invejavam e até os que o traíram"- Jo-13-15-16. Já o décimo mandamento anuncia: "Não cobiçarás as coisas alheias".
A inveja incluída nos Sete Pecados Capitais apontados pelos teólogos, é um ranço, também, na sociedade, basta que alguém se sobressaia no campo do saber disputado pelo invejoso para que este venha com raios de morte a fim de destruir a conquista do semelhante, por meio da injúria, da calúnia, da dissimulação, da madedicência e da difamação, move montanhas para que o outro não brilhe onde a sua inveja não consegue atingir os objetivos. Não se destaca mas não permite que outros consigam o que nunca realizou.
"O invejoso está mais preocupado com a vida alheia do que com a sua. Ao invés de tentar progredir, em crescer tanto materialmente quanto espiritualmente, ele prefere ficar sofrendo quando vê o sucesso dos outros"- Alan Kardec.
Sem méritos para progredir ou tentar evoluir prefere intrometer-se na resplandescência alheia e ser um eterno infeliz. "Onde há inveja não pode haver amizade", afirma o poeta português, Luiz Vaz de Camões.
A pessoa invejosa tem, também, problemas emocionais, não procurou tratamento especializado para a baixa auto-estima, insegurança, inadequação a vida que leva.
O ciúme, diz o dicionário Aurélio: " sentimento doloroso causado pelas exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade fazem nascer em alguém".
A literatura mundial é pródiga em personagens ciumentos.
Otelo- O Mouro de Veneza, de William Shakespeare é, talvez, o maior clássico do ciúme. Escrito por volta de 1603, com quatro personagens: Otelo, um general mouro que serve em Veneza, Desdêmona, sua esposa, o tenente Cássio e o sub-oficial Iago, narra que o protagonista, Otelo, cego de ciúmes e envenando pelo ciúme que Iago sentia, também, de Desdêmona, deixa-se levar por esse estado mórbido e assassina a inocente e honesta esposa. O autor declara que o " ciúme é um monstro de olhos verdes", a mais popular definição do ciúme.
Na literatura brasileira temos, entre outros, D. Casmurro, de Machado de Assis, publicado em 1899. Machado revela através do personagem, Bentinho, carcomido pelo monstro de olhos verdes, tal como Otelo, deixa pela ambiguidade, uma dúvida sobre o adultério de Capitu. Bentinho não tem a certeza de nada, arrasado pelo amor, ciúme que o deixam com uma certa "loucura", passa para o leitor a tarefa de decidir se Capitu é inocente ou culpada.
Concluo com a dúvida: alguém seria capaz de entender a natureza humana?
Fonte: pesquisa Google.

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