Há quem discorde. Mas eu tenho o pensamento que política já "nasce" no
sangue do indivíduo. Não no sentido literal, é claro. O político de
sangue possui áurea forte. É um sujeito iluminado. Ele vem de fábrica
com um carisma intocável e também com uma imensa capacidade, que poucos
têm, de sair ileso das mais diversas situações. Uma imensa facilidade
de comunicação, que atinge a gregos e troianos. O grande exemplo de
político de sangue, nos últimos tempos, é o nosso presidente Lula. Nas
eleições de 2006, ele foi apedrejado de todas as formas pela mídia e
por seus adversários. Em seu discurso, ele apenas disse não saber e não
ter visto nada. Pronto. Inquestionável. Para grande parte da população,
Lula se tornara vítima. E aí que está o “grande” político. Nada
consegue destruir sua imagem. Não quero dizer que o que ele faz é certo
ou errado. Quero dizer apenas que a palavra dele é que vale de verdade.
E essa é uma característica forte do político de sangue.
Essa semana esteve no Programa do Jô a jovem Manuela D’ávela, deputada
federal melhor votada no Rio Grande do Sul. Manuela, com seus 26 anos,
esbanja carisma e simpatia. Simples, determinada e com muita atitude.
Uma moça que poderia ter seguido qualquer outra carreira. Medicina,
engenharia, jornalismo, etc. Mas aos 16 anos, calouro na universidade,
entrou no movimento estudantil, e aos 18 já comandava o DCE – Diretório
Central de Estudantes.

Em julho de 2005 estive no CONUNE , congresso na União Nacional dos
Estudantes, em Goiânia/GO. O Congresso reuniu cerca de 15 mil
estudantes de todo o Brasil, hospedados nos “aposentos” da Universidade
Católica de Goiás durante quase uma semana. Na verdade, o congresso
nada mais era que um grande encontro de partidos políticos. Todos
tentando fazer lavagem cerebral na cabeça dos estudantes, os
persuadindo a filiar-se. Eu quase caí no golpe. Cheguei a preencher uma
ficha de filiação do PC do B, partido da “moda” na UNE. Lá aconteceram
inúmeras plenárias e debates, para todos os gostos. Mas todos chegavam
a um só assunto: política. Muitos políticos durante o congresso deram o
ar de sua “graça”, andando no meio da multidão de estudantes. Os
partidos de esquerda comandavam, e dentre eles, o PC do B era o “top”,
representado pela UJS – União da Juventude Socialista. No comando
estava ela, Manuela D’ávela. Naquele ano ela exercia o mandato de
vereadora de Porto Alegre, sendo a mais jovem eleita da cidade. Manuela
esteve lá durante todo o congresso. Participando dos debates,
enfrentando as filas de refeições com os estudantes, e nas festas. A
jovem por onde passava deixava seu brilho. Encantadora. Política de
sangue, ela conseguia chamar a atenção para ela e dialogar no meio de
uma multidão “rebelde” de estudantes. Sem nenhum padrinho político, ela
ingressou na carreira política de forma independente, conseguindo seu
espaço aos poucos com muita luta e determinação. Manuela é um grande
exemplo de política de sangue. Sem querer querendo ela representou
estudantes, depois a população de Porto Alegre, e agora representa o
estado do Rio Grande do Sul. Anote este nome, quem sabe um dia ela
representará todos nós.