Réquiem Piripiri
Publicado por George Mendes   
04/05/2009 - 08h06

Peço permissão ao meus leitores para interromper por uma semana a sequência história para denunciar,lamentar, repudiar o desacaTo das autoridades estaduais responsáveis pelo tombamento do Casarão, conhecido como "Casarão do Embaixador", que ontem, 01.05.2009, passou a chamar-se "saudade". A minha revolta é imensa e a minha alma piripiriense chora. Envio um depoimento e documentos enviados ao Exmº Sr Governador ( DEVOLVIDO PELO E-MAIL) e Câmara Municipal.

Abro espaço em meio aos poetas para falar sobre um fato lamentável, o último dos velhos casarões que remontam à época da fundação, desaparece na voragem do descaso político, das promessas vãs feitas em momentos eleitoreiros, especulação imobiliária, passividade da população numa falta de prática de indignar-se mediante tanta demagogia, manobras populares que sacrificam o legado cultural, sem o menor respeito ao passado de um povo, de uma cidade que foi desbravada por um sacerdote oriundo do Movimento da Parnaíba pela Independência do Brasil no Piauí, um dos intelectuais desse Movimento, que nos deu mais tarde uma Reforma Agrária e teve a Casa Mãe, marco histórico da fundação, também sacrificada em nome do desrespeito ao legado que deveria passar de geração a geração. Sempre era atribuída a responsabilidade à família que construíra o chamado "Casarão do Embaixador". Este foi tombado pelo Estado e adquirido pelo sr Raimundo Holanda da herdeira que o transacionou. A partir daí a responsabilidade pela conservação e preservação era da família proprietária. Quando se fala na importância que tinha o prédio não se questiona o fato de haver pertencido ao embaixador, Espedito Resende, cidadão igual a todos perante a Lei, argumenta-se ser uma construção da época da Vila de Peripery e, após, a derrocada do desaparecimento da construção do Fundador, outro fato lastimável, lutava-se para preservar aquele marco de nossa trajetória que, certamente, dará lugar a um prédio moderno e rentável e a cultura que não gera votos que sofra golpes implacáveis do mandatário estadual, que tinha a responsabilidade do tombamento, prometeu, em público, em discurso no "Memorial Embaixador Espedito Resende", uma ajuda de custo para solucionar embora, provisoriamente  , em momento oportuno em que fazia discurso político e não cumpriu. A minha tristeza de historiadora e piripiriense é incomensurável, com o Casarão dos Rezendes, como querem chamar, acaba um período importante do nosso passado e a memória de homens que nos influenciaram a construir uma Piripiri progressista mas respeitando o que recebemos como herança. Um povo sem passado é um povo perdido no meio das civilizações. Réquiem Piripiri, a nossa memória está cada vez mais curta.

 

Casarão‏ De:
 Clea Rezende ( Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email )
 
Enviada:
 sábado, 2 de maio de 2009 18:28:19
 
Para:
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Exmº SR Presidente da Câmara Municipal
Vereador Francisco das Chagas Brito Júnior.

Sr. Presidente,

Como historiadora e, principalmente, como piripiriense, gostaria de manifestar aos senhores representantes do povo nessa Augusta Casa, o meu repúdio, protesto, contra o descaso com que foi tratado o prédio mais antigo da cidade, construído em 1888, pelo Cel Antônio Coelho de Rezende, membro do Conselho de Intendência instalado em 1889, após a Proclamação da República, Intendente (antigo nome dos Prefeitos) em 1893/1896, 1901/1904, chefe do Partido Conservador em Peripery, comerciante, casado com Filomena Rosa de Melo, pai de: Diógenes, Rosa Lina, Geracina, Simplício, Anísia, Sesótris,Antero, Nelson, Maria Augusta, João, Cassiano, Avelino e Domingos, entre eles, prefeitos, desembargador, membros do Conselho Municipal (vereadores), deputado estadual, patriarca de uma família digna e de cuja descendência muitos ilustres filhos da cidade prestaram e prestam relevantes serviços à causa do povo, avô do embaixador, Espedito de Freitas Resende, que deixou uma larga folha de serviços prestados ao Piauí e ao Brasil. Não é pelo imóvel haver pertencido a um embaixador, porque todos os cidadãos são iguais em direitos e dignidade e diante da Lei mas, pelo que representava para o município em termos de raízes culturais. O tombamento feito pelo Estado não foi respeitado embora a promessa de Sua Excelência, o Governador, tenha sido pública, proferida no Memorial, Espedito Resende, em discurso político, e da sra, Sônia Terra que, inclusive, enviou técnicos para avaliar a situação, se não para uma reforma geral mas, para uma modificação que lhe tornasse segura e não chegasse ao lamentoso episódio de sexta, 01.05.2009. Muito lutamos para conservar esse imóvel, com radialistas, jornalistas, campanhas esclarecedoras, estudantes, professores, vereadores, ultimamente o vereador Murieel, a quem agradeço o empenho e solidariedade, procuramos conscientizar a população, muitas vezes fomos mal recebidos por comentários de cunho político em que se dizia que era uma "casa da elite". Elite, me pergunto eu, vivemos um preconceito social às avessas? Um patrimônio da cidade é do povo, tenha vindo da familia que vier, faz parte do que nos foi legado por ancestrais que construiram a nossa civilização. Piripiri não é apenas o que as gerações atuais realizam é, principamente, pela coragem e trabalho de cidadãos  do passado que transmitiram o que hoje somos em termos de história: fundada em 1844, em 1870, Freguesia, em 1874, Vila, com apenas 30 anos de fundação e em 1910, recebe a emancipação política. Homens eminentes, como o fundador, Padre Domingos de Freitas e Silva, cel Thomás Rebello d'Oliveira Castro, Cel Antõnio Coelho de Rezende, cel Estévão Rabelo de Araújo e Silva, Alferes João de Freitas e Silva, cap. Severiano Medeiros, João de Freitas Filho, cap. Diógenes Coelho de Rezende, Sesóstris Coelho de Rezende, cap. Antônio Alves Ferreira, nos inscreveram na constelação piauiense como a cidade que vem crescendo e se desenvolvendo com os valores de hoje. Senhores Edis, a voz da história é implacável, as gerações futuras, com certeza, conhecerão as razões porque a nossa trajetória foi tão vilipendiada e o descaso feriu a cidade e os nossos brios. Réquiem, Piripiri!

A MENSAGEM ENVIADA AO SR GOVERNADOR FOI DEVOLVIDA PELO E-MAIL- TEXTO ORIGINAL A BAIXO.


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De:
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Enviada:
 domingo, 3 de maio de 2009 4:28:34
 
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Subject: Casarão de Piripiri
Date: Sat, 2 May 2009 16:24:06 +0000

Casarão de Piripiri‏

De:  Clea Rezende ( Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
Enviada: sábado, 2 de maio de 2009 16:24:06
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Exmº Sr. Governador,
Réquiem para a história de Piripiri duramente atingida com o desastre ocorrido com Casarão mais antigo da cidade, construído em 1888, tantas vezes, solicitada, pedida, implorada ajuda para  que intercedesse, em nome do tombamento feito pelo Estado, inclusive,com promessa pública de Vossa Excelência de assim fazê-lo, proferida no Memorail Espedito Resende , em nossa cidade. A importância do Casarão, Excelência, não é por ter pertencido a um embaixador com uma folha de serviços prestados ao Piauí e ao Brasil mas, pelo que representava para as raízes piripirienses, porque, todos os cidadãos são iguais em respeito e dignidade e perante a Lei. Perdoe-me , Senhor Governador, novamente envio réquiem aos meus conterrâneos.Atenciosamente, profa Cléa Rezende Neves de Melo, acadêmica, historiadora, poetisa e piripiriense.

Comentarios (9)Add Comment
Francisco Pimentel
18 maio, 2009
187.25.78.39
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Quebra uma história com um ato,que de lance não sabemos,digo,juridicamente,se o ato administrativo estava coberto do Interesse Coletivo,será que questionanara-se a História do Casarão,dos patriarcas do Nosso Perypery-"Não é pelo imóvel haver pertencido a um embaixador, porque todos os cidadãos são iguais em direitos e dignidade e diante da Lei, mas pelo que representava para o município em termos de raízes culturais",não são minhas tais afirmações,mas de nossa historiadora Cléa,todavia derrubaram um tempo,uma história palpável,sem respeitar aos verdadeiros Interesses,as Necessidades do Povo e suas Histórias.
Cléa, aqui fica meu manifesto coletivo a teu apoio e respeito a sua insastifação.
Francisco Pimentel - DF

Marta Elisabete Barros de Melo
14 maio, 2009
201.51.87.103
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Solidarizo-me à prof. Cléa Resende e aos demais piripirenses,pelo duplo sofrimento:O dos desabrigados e da perda irreparável do casarão.Sei o quanto vcs lutaram em prol da preservação e reparo do prédio.Sei que a prof. Cléa foi incansável nessa batalha e entendo sua revolta.Perdemos todos!Mais uma vez a ignorância e o descaso saíram vencedores.Ficamos órfãos da história.
O que será da futura geração?Só conseguirão conhecer através de fotos,isto se não as extraviarem também.

José do Carmo
10 maio, 2009
200.241.129.194
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A Cultura de um povo só é valorada por quem a compreende, entende seus motivos e seus significados históricos, morais etc. Contudo, onde exista interesse ou divergência POLÍTICA, os homens esquecerão deliberadamente seus próprios valores culturais. Foi, no meu entender, o que ocorreu com a queda do Casarão. Se, de um lado, a família proprietária não possuía interesse (econômico ou cultural) algum em restaurá-lo, por outro, a classe política Estadual e Municipal (principalmente) é absurdamente responsável pelo não tombamento, tempestivo, do ex-edifício. Malgrado tenha o governo do Estado prometido (falaciosamente) realizar o sobredito tombamento, não se pode esquecer que o "CASARÃO" é patrimônio histórico imperiosamente local de nossa cultura municipal, o que torna o poder público de Piripiri muito mais responsável pela omissão de cuidados no tombamento do mesmo, do que qualquer outra pessoa, seja ela física (proprietários) ou pessoa jurídica de direito público estatal. Afinal, como alguém disse alhures: “Dê valor as pessoas (ou coisas) enquanto elas estão por perto, pois saudade não será motivo suficiente para que elas voltem.”

PEDRO F. MELO!!!
08 maio, 2009
201.29.167.3
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"A DESPEDIDA??!!..."
QUANDO ESCOLHERAM OU NASCERAM, ESCOLHERAM PIRIPIRÍ, COMO SEU LUGAR DEFINITIVO, OPTARAM PELO ANTIGO, A MEMÓRIA, NO ENTANTO AQUELES QUE ADMINISTRAM O PATRIMÔNIO PÚBLICO SOB A FORMA DE IMPOSTOS, TÊM COMO OBRIGAÇÕES CUIDAR DO PATRIMÔNIO, BÉM ESTAR DA SOCIEDADE, DA MEMÓRIA DESSE POVO, QUE ALEGAM NÃO TE-LA.
OS PIRIPIRIENSES TÊM O DEVER E A OBRIGAÇÃO, DE BOBILIZAREM-SE PARA QUE AS FUTURAS GERAÇÕES CONTINUEM A SE ORGULHAREM DOS SEUS CIDADÃOS(ÃS),MANTENDO VIVA A MEMÓRIA DE TODOS. - NÃO VALE APENA LEVAR A SÉRIO O QUE FIGURAS COMO W. DIAS, DIZEM OU FAZEM. O QUE ME TOCA, E PROFUNDAMENTE, MUITO MAIS QUE O CARINHO, E NÃO O EXAGERO DAS PALAVRAS DESTA GRANDE PESSOA QUE MERECE ACIMA DE TUDO, O RESPEITO DE TODOS NÓS, PELA GENIALIDADE COM QUE CONSTRÓI SUAS PALAVRAS E SEM DÚVIDAS TEREMOS A REFORMA DO CASARÃO DO EMBAIXADOR!
O PASSADO NÃO CONHECE O SEU LUGAR, ELE ESTÁ SEMPRE NO PRESENTE!!!!!(M. QUINTANA)

Newton Freitas
05 maio, 2009
187.24.19.226
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Se a representação do povo quiser (Câmara Municipal de Piripiri, com o apoio do Executivo)ainda poderá reverter a situação. Basta desapropriar a área, com preço justo, proteger os destroços até fins-d'água, e recuperar o Casarão, através de ação e doação da comunidade. Mãos à obra!

Valdiwilson Monteiro
05 maio, 2009
189.82.228.7
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Um tiro disparado acidentalmente em um famoso museu, danificou seriamente um raríssimo e valioso quadro. Imediatamente, contrataram-se peritos e, sob meticulosas e duras custas, restaurou-se tal preciosidade! Referente ao "Casarão", o "descaso" deveu-se ao fato de que nunca aprendemos a diferençar aquilo que é “Caro”, daquilo que é “Valioso”.
Isso, de certa forma, me faz lembrar de uma família tola que conheci no sertão nordestino, a qual, sem levar em consideração os duros anos passados e, sem nenhum projeto para o futuro, comia a safra junto com os grãos que deveriam ser guardados para semente,e, posteriormente, mendigando uma pequena “mucheia” de sementes.
Concordemente, nossos livros continuarão a ostentar o Coliseu, as pirâmides do Egito, na melhor das hipóteses, a imagem do “Pade-Ciço”, etc., pois as sementes da história de nossa cidade são engolidas para que surja, quem sabe, uma praça morta que dará crédito a um dignitário da atualidade, que a construiu, o qual, por sua vez, também perder-se-á na corrente do tempo.

Darlene
04 maio, 2009
189.82.199.46
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Entendo seu sentimento de impotência e revolta diante de tal fato,pois é assim que me sinto ao ver uma parte de nossa história se esvair dessa forma; e tudo por causa de jogos de interesses políticos.É lamentável!

Cléa Rezende Neves de Melo
04 maio, 2009
201.2.19.8
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Tálison:

16:45 (16 horas atrás)excluir
A queda do casarão foi algo muito triste. É lamentável nos depararmos com fatos como este, Piripiri perde uma página de sua história de forma cruel. E o mais revoltante é ver que pessoas que deverião cuidar disso simplesmente não fazem Nada, nem se quer uma satisfação do ocorrido.

Cléa Rezende Neves de Melo
04 maio, 2009
201.24.20.26
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Zorayd: Querida Historiadora:
Estou aqui imaginando a sua indignaçao, pessoa de extrema sensibilidade e amor á cultura de sua terra, o fato de vê o descaso pelo último dos Casarões de Piripiri...Tem-se a impressão que o povo, de tanto esperar cumprimento de falsas promessas, acomodou-se ao desinteresse dos politicos pelas causas nobres e importantes. O povo ESTACIONOU, BLOQUEOU O INTERESSE PELA LUTA!!!CANSOU!!! O que para os políticos, é o ideal...
Felizmente, sobrou algumas que continuarão lutando incansavelmente!
Quem sabe um dia, encontrarão terreno fértil ao plantio de suas nobres lutas!!! ... BjsPiauienses e Cariocas. Sua amiga, Zo