O destino desfolhou
Publicado por Cléa Rezende   
25/07/2009 - 06h19
No trecho da valsa "O Destino Desfolhou" de Mário Rossi  e Gastão Lamounier: "Os nossos lábios murcharam/porque a renúncia doeu" mostra a concepção de toda uma época em que se abdicar a sorte era um ato de conformidade à vontade Deus. "Aqueles que já chegaram à perfeição  nos ensinam que o caminho é fazer a vontade Dele e essa nem sempre  coincide com a nossa". Será uma coisa ligada ao destino de cada pessoa ou à vontade de Deus? Eu, particularmente, adestrada desde a mais tenra idade ao espírito cristão da conformidade nada fiz para mudar aquilo que chamam destino que, também, poderia ser a  sorte. Será que não deixei que, em muitas ocasiões, alguém abortasse o meu destino, determinasse por essa ou aquela convenção social existentes em todas as minhas fases de vida? Obviamente, eu poderia haver desafiado e correr em busca daquilo que eu considerava a minha suprema aspiração naqueles momentos. Preferi obedecer às normas de conduta  e frustrar a minha vida que, de certa forma , alguns anos depois, em alguns aspectos, tomei a rédea para dirigi-la mas, irremediavelmente, macerada em tudo que acreditei, anos após anos a história se repetiu, fria, racional.As coisas deveriam acontecer linearmente. Quantas vezes ouvi: fulano tem sorte, consegue tudo o que quer. A sorte seria, então, coisas da imaginação popular? " Há uma denominação adequada a uma série de eventos cuja importância nos  fazem supor que são decorências da sorte".
 
O poeta, Osiris Neves de Mello versejou: " A vida é má e suas leis são duras/A vida na dúvida repousa o destino cruel das criaturas/Grande foi Cristo e sucumbiu na Cruz"... Cristo, que era Deus, aceitou o martírio que se impôs e morreu contrito em perdoar, Ele traçou o seu destino em prol da humanidade, se fez homem com essa missão.O destino do mundo veio do madeiro da cruz.
 
A sorte segundo o mestre, Aurélio Buarque, força que determina tudo quanto ocorre e que se atribui ao acaso ou uma suposta predestinação, já o destino, de acordo com o mesmo, é a sucessão de fatos que podem ou não ocorrer e que constituem a vida do homem considerados como resultantes de causas independentes de sua vontade. Será que alguém nasce predestinado a fatalidades ou somos nós que caminhamos passo largo para o desacerto da sorte ou caprichos dela. Por que a vida nos torna um sucesso em algumas áreas e se mostra madrasta em sucessivas decepções? Fatalidade ou azar? Ou estamos sempre em lugares errados, nas horas erradas com pessoas erradas. Seriam os ensinamentos do livre arbítrio que nos conduzem a esses erros contínuos e nós seremos mesmos os culpados.
 
"Imaginar que existe sorte é supor que existe a possibilidade de alteração do destino conforme determinadas condições que geram os eventos já que o destino é que é sinônimo de fatalidade, programação ou desígnio imposto por forças maiores afetadas por nossa atuação direta ou indireta... O fatalismo é a concepção que considera serem o mundo e os acontecimentos produzidos de modo irrevogável e, também, a crença de que uma ordem cósmica, dita, Logos, preside a vida cotidiana".
 
"A religião maniqueísta possui uma visão dualista radical, segundo a qual o mundo está dividido em duas forças: o Bem (luz) e o Mal (trevas)... É dever de todo ser humano entregar-se a esse combate para extinguir em si e nos outros a presença das Trevas a fim de poder alcançar o Reino da Luz que é o Reino de Deus."
 
"No ocidente, costuma-se associar a palavra destino a karma. Karma tem a sua origem no sânscrito e significa" ação"... Karma é uma lei do Hinduísmo que defende que qualquer ato, por mais insignificante voltará ao indíviduo com igual impacto; visto que os hindus  acreditam na reincarnação o karma não conhece limites  de vida/morte.Se o bem ou mal caem sobre si , se as pessoas se comportam de determinado modo consigo, isso deve-se ao que fez nesta ou noutra vida..." ações praticadas é o que traça a sua sorte. Como se explicaria o fato de pessoas que passam a vida desafiando preceitos e se dão muito bem? Então ir-se-ia de acordo com os dogmas cristãos de uma punição na vida espiritual ou se retornaria para uma nova vida de karmas a pagar.
 
Concluo que a vida dá e tira. Nessa luta correndo atrás da sorte e de um destino mais justo a esperança vem como a salvação nessa luta incessante que é a expectativa da felicidade ou "buena dicha"

Fonte: Google

Comentarios (4)Add Comment
Duda Novaes
09 agosto, 2009
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Querida, quanto tempo não passava por aqui. Adorei me atualizar. Vc continua com a mão e a alma afiadíssimas. Suas palavras transcendem a nossa compreensão, por isso ensinam tanto. Obrigada por me instruir assim. Bjss
Suplicyzinha

PEDRO F. MELO!!!!
05 agosto, 2009
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somos produto do meio em que vivemos,
no meu entender o destino reflete cada momento do que preparamos e programamos no dia , a dia de nossas vidas.
Não existe fatalidade e nem azar, existem fatos, na minha consepção,existem acontecimentos que poderão causar bém ou mal, que devem refletir como nos comportamos.
Sem ser subjetivista , concordo com sua tese, onde destino e esperança salvam, mesmo com expectativas...

José do Carmo...
02 agosto, 2009
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A vida é muito importante para acontecer uma única vez. E tanto os praticantes do hinduismo quanto os do espiritismo do francês Allan Kardek, demonstram a veracidade da existência da REENCARNAÇÃO. Caso contrário, como se poderia explicar, nesta vida por ex. a afinidade de ser humano com outro e, ao mesmo tempo, a aversão, sem motivos aparentes, por outra pessoa que nunca nos fez mal algum??
Deus nos mostra os caminhos devemos seguir, porém, a decisão de escolher esse ou aquele, fazer ou não determinada coisa, é pessoal e cabe a cada um. E o resultado destas escolhas é o que recebemos de volta com o tempo, nesta ou em outra vida. Por isso, já se falou certa vez: "no universo não existe vítimas, cada um responde pelas escolhas que faz." Somos frutos do que pensamos, do que fazemos e do que optamos para nós em determinado momento. E sendo o espírito eterno, cada "passagem pela terra" é um oportunidade nova para melhorarmos, refazer novas escolhas, buscando a perfeição moral e espiritual que resultam na evolução pessoal de cada ser humano. Contudo, ainda é resistente por parte da sociedade a crença em tais idéias espirituais, o que por si só não infirma sua existência. Assim, percebe-se que o destino é oferecido a todos, com boas ou más circunstâncias, mas é a atitude individual de cada um que fará ou não seguirmos rumos diversos.

Marta Elisabete Barros de Melo
30 julho, 2009
187.14.9.205
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Acredito no Karma e no livre arbítrio.Muitas questões ficariam sem resposta/explicação se vivêssemos apenas uma vez.Aonde ficariam os bilhões de espíritos desencarnados?Haveria no "céu" uma superlotação destes.E por que uns teriam "sorte" e dinheiro,enquanto outros viveriam na miséria?Uns cultos e outros ignorantes?Uns perfeitos e outros defeituosos de nascença?
Somente através da leis das oportunidades(reecarnação) é que temos a chance de "consertar" o que estragamos na vida anterior ou não.Para isso,existe o Livre Arbítrio.Cada espírito ao reencarnar,tem "suas tarefas" a cumprir,visando o aprimoramento e diminuição de sua "estrada" em direção à luz.Porém,ele pode seguir dois caminhos,o certo ou o errado.Não se pode interferir no livre arbítrio de ninguém.Sua consciência e reminiscências de vidas passadas o guiarão sempre em direção ao bem,cabe-lhe segui-las.
Muitos nascem ricos e abusam da riqueza,humilhando os outros.Outros detêm o poder,e igualmente abusam deste.Não seria justo,que os humilhados e servis voltassem a viver os mesmos dramas nas suas próximas vidas...a situação certamente se inverterá e o servil de antes,será o sr. de agora e terá a chance de conviver com seu algoz de outrora e perdoá-lo,mudando suas vidas e dando um passo em direção à luz.